Lisboa, 09 Jan (Lusa)
Pelo menos mil portugueses e luso-descendentes vão candidatar-se às eleições municipais francesas, que se realizam a 09 e 16 de Março, disse hoje à Agência Lusa o presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas.
Carlos Pereira, residente em França, disse que dos contactos que efectuou junto da Embaixada de Portugal, consulados e portugueses eleitos conseguiu localizar "pelo menos mil concorrentes", mas admitiu que "podem ainda surgir mais candidatos".
De acordo com o presidente daquele órgão de consulta do governo para as questões da emigração, os portugueses estão representados nas listas de todos os partidos e apresentam-se também como independentes.
Candidatos às autarquias de todo o país, os portugueses e luso-descendentes concorrem como cabeças de lista e aos cargos de vereadores e deputados municipais.
Carlos Pereira sublinhou que apenas podem concorrer ao lugar de presidente de câmara os portugueses com nacionalidade francesa, sendo por isso um número reduzido de luso-descendentes que se candidata a este cargo.
"A maior parte concorre ao lugar de vereador e deputado municipal", disse, destacando o número de portugueses que emigrou para França nos anos 60 e que se apresenta agora às eleições municipais.
O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas salientou igualmente o número de mulheres portuguesas nas listas, situação que se deve à lei da paridade francesa.
Para as eleições municipais francesas podem votar e ser eleitos todos os portugueses sem nacionalidade francesa.
Nas últimas eleições, em 2001, foram eleitos 350 autarcas de origem portuguesa.
Segundo Carlos Pereira, apresenta-se às eleições de Março um maior número de portugueses, aumento que se deve à campanha de informação realizada junto dos emigrantes.
A Associação dos Autarcas Portugueses de França (CIVICA) e o Conselho das Comunidades Portugueses desenvolveram no ano passado uma campanha de sensibilização para que os emigrantes se inscrevessem nos cadernos eleitorais.
"O aumento de candidatos é um resultado directo desta campanha", adiantou.
Os números do recenseamento eleitoral, que terminou a 31 de Dezembro, só serão divulgados em Fevereiro.
De acordo com a CIVICA, em Fevereiro do ano passado estavam recenseados 63 mil portugueses.
Estes dados não abrangem os luso-descendentes, uma vez que têm nacionalidade francesa e não são considerados estrangeiros.
Cerca de um milhão de portugueses e luso-descendentes vivem em França.
Para Carlos Pereira, a candidatura de mais de mil portugueses ou luso-descendentes às autarquias francesas "reforça" a visibilidade local da comunidade.
"Existe uma relação muito forte entre as autarquias e os dirigentes associativos portugueses", sublinhou.