Pelo menos 177 veículos foram incendiados e uma escola, um centro comercial e uma esquadra da polícia foram saqueados. Interpelados pelo Correio da Manhã, representantes da comunidade portuguesa afirmam não haver até ao momento casos conhecidos de jovens lusos envolvidos na violência.
Mas o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, garantiu que caso os portugueses tenham problemas de insegurança devem contactar o consulado, embaixada e conselheiros das comunidades portugueses, que já accionaram planos para o efeito.
Photo : Le président du PSD en visite à Aulnay sous Bois le 05 Novembre 2005. Marques Mendes, Carlos Gonçalves et arrière, plan Paulo Paixão, Adjoint au Maire de Dammarie les Lys, membre de l'Association Civica.
Um cenário de verdadeira guerra civil foi o que restou de uma noite infernal vivida em nove subúrbios da capital francesa. Pela primeira vez, os revoltosos usaram armas de fogo, facto que põe em relevo o provável envolvimento de grupos de crime organizado nos tumultos.
Estes são bairros onde já moraram muitos mais portugueses do que agora, explicou ao CM Carlos Pereira, presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, salientando que se trata de bairros sociais degradados. Paulo Marques, vereador de Aulnay-sous-Bois, cidade onde ontem os confrontos foram mais violentos, explicou, por seu lado, que a maioria dos habitantes das zonas de conflito é magrebina. Esta é uma cidade de 80 mil habitantes, cinco mil dos quais são portugueses, afirmou, explicando que, no bairro onde se deram os confrontos, a Roda dos Ventos, residem cerca de uma centena de portugueses.
O vereador luso salientou ainda a preocupação que se vive na comunidade lusa, mas mostrou-se convicto de que não há portugueses envolvidos nos distúrbios. Não há também, garantiu, casos conhecidos de empresários e comerciantes lusos directamente atingidos pelo rasto de destruição dos confrontos.
(correio da Manhã)

O presidente do PSD, Luís Marques Mendes, manifestou hoje em Aulnay-sous-Bois satisfação por não haver envolvimento de portugueses nos distúrbios verificados na periferia de Paris e elogiou a "serenidade" da comunidade portuguesa.
"É uma satisfação saber que os portugueses não estão envolvidos", afirmou o líder social-democrata, após um encontro com cerca de 10 portugueses num restaurante em Aulnay-sous-Bois, uma das zonas afectadas pela violência das últimas noites nos subúrbios de Paris.
Na reunião, promovida pelo conselheiro municipal desta localidade Paulo Marques, um empresário de transportes internacionais português, Mário Martins, revelou que três dos seus camiões foram incendiados na noite anterior junto às residências dos respectivos motoristas.
"A situação está complicada e fomos obrigados a tomar medidas para reforçar a segurança na empresa", adiantou.
No entanto, Mário Martins garantiu estar calmo, apesar do clima que se vive na região parisiense, que pela nona noite consecutiva registou vários incêndios e estragos em viaturas e edifícios causados por bandos de jovens.
"Se não tivéssemos estas confusões estávamos melhor", notou o empresário.
Por seu lado, Micael Barroso, outro jovem presente e antigo residente de um dos bairros mais complicados de Aulnay, o bairro da Rosa dos Ventos, reconheceu que existe "algum receio em sair à rua".
Todos os presentes rejeitaram o envolvimento de portugueses nos distúrbios, o que agradou ao líder social-democrata, presente em Paris para participar na comemoração dos 30 anos da secção do PSD na capital francesa.
Paulo Marques, igualmente militante do PSD e do partido francês UMP, mostrou-se "chocado" com a imagem que a imprensa portuguesa tem passado dos acontecimentos e com a protecção consular disponibilizada pelo ministério dos Negócios Estrangeiros aos portugueses residentes nesta zona.
No final, o presidente do PSD enalteceu a comunidade portuguesa por ser "tão ordeira, tão serena, tão tranquila" e por acompanhar a situação "com preocupação mas também com serenidade".
Acompanhado pelos deputados sociais-democratas Carlos Gonçalves e José Cesário, eleitos pela emigração, Marques Mendes explicou ter-se deslocado a Aulnay porque "a primeira coisa que um político deve fazer é informar-se", embora admitisse que não viu estragos pelo caminho No exterior do restaurante, era possível sentir um intenso cheiro a queimado e a algumas dezenas de metros encontrava-se pelo menos uma viatura em chamas, constatou a agência Lusa.
Nas ruas de várias localidades na periferia de Paris circulavam carros de bombeiros e nas localidades vizinhas de Aulnay podiam avistar-se colunas espessas de fumo.
Luis Marques Mendes deslocou-se a esta localidade depois de participar num jantar de comemoração dos 30 anos da secção do PSD em Paris, onde estiveram presentes cerca de centena e meia de pessoas.
Durante um discurso, elegeu a comunidade portuguesa em França como "absolutamente exemplar" pela forma como "lutou contra adversidades e se afirmou pelo seu trabalho".
"É o que tenho ouvido das autoridades locais e nacionais", declarou aos presentes.
Agência LUSA
2005-11-05 02:43:20