Há dez anos, foi concretizada uma ideia extremamente feliz e oportuna: criar uma Associação de Autarcas de Origem Portuguesa. Na verdade, a presença da comunidade portuguesa e de luso-descendentes em França encontra-se de tal forma consolidada que, tendo criado raízes, levou à eleição, como responsáveis autárquicos, de um número significativo de cidadãos com origens em Portugal.
É motivo de orgulho para qualquer país saber que os seus naturais, ou os seus descendentes, se afirmaram e conquistaram projecção e prestígio nos países de destino. Tal prestígio é reconhecido pelos eleitores desses países, que os honram da melhor forma: através do voto democrático.
O desempenho de funções autárquicas, seja em França, seja em Portugal, é um dos mais nobres domínios da actividade política, pois é aquele que mais exige uma relação de proximidade com as populações. Dos autarcas exige-se uma especial lealdade, a lealdade de quem está próximo das pessoas e dos seus problemas. Os autarcas de origem portuguesa têm sido leais às populações que os escolheram. Conhecem os problemas das comunidades, defendem os interesses dos eleitores. São, em suma, fiéis às suas raízes. Nessa fidelidade às raízes, no brio em manter viva a marca da portugalidade, há uma dimensão emocional e afectiva que temos sempre de realçar. Mas há também uma dimensão muito prática, visível no terreno: através de uma associação, que comemora dez anos de existência, os autarcas de origem portuguesa mostram que querem manter-se unidos. Unidos por um traço, acima de todos os demais – o traço do país de onde provêem.
Quero, assim, saudar a CIVICA pelos seus dez anos de existência. Esta associação é um sinal de maturidade cívica, e um exemplo que mereceria ser seguido noutras paragens. Não apenas pela sua dimensão simbólica, mas também pela sua componente pragmática: a união de esforços contribuirá para prestigiar ainda mais os autarcas de origem portuguesa e as comunidades da diáspora, facto que gostaria de deixar assinalado de forma muito vincada neste meu depoimento, que presto com o maior apreço.
Aníbal Cavaco Silva
Presidente da República Portuguesa