França - Candidatos às eleições presidenciais na imprensa cor-de-rosa
Paparazzi apanham políticos
Ségolène Royal, a candidata socialista à presidência da França, foi apanhada pelos paparazzi, em biquíni, quando gozava o seu período de férias na Côte dAzur. Por seu lado, Nicolas Sarkozy, o candidato conservador, também apareceu em fotografias semelhantes às da rival. Esta prática era pouco comum em França e, inclusivamente, existia um acordo agora quebrado com os media para a não perseguição dos políticos durante as suas férias.
| Royal surge em biquíni azul e de chapéu, desfrutando das cálidas águas da Riviera francesa. Sarkozy, também com os pés entre a areia, mantém a forma correndo em tronco nu e de óculos escuros. A VSD, revista francesa, apresenta, na sua capa, as fotos de ambos sob a manchete Duelo ao Sol. Paulo Marques, vereador português em Aulnay-sous-Bois, arredores de Paris, disse ao CM que alguns políticos utilizam a questão da imagem em benefício próprio. Por isso, é muito provável que neste caso se possa verificar isso mesmo. O emigrante acrescenta que Royal é a candidata que pode ter mais resultados e, por ser mulher, pode estar a usar o seu charme para atrair ainda mais eleitores. Misturar a vida privada com a vida política não é uma prática comum em França, onde poucas vezes se mostram fotografias de políticos em lazer. Esta evolução é vista pelo vereador luso-francês como reflexo da própria sociedade. É ela que dá os passos necessários para que esta mediatização aconteça, defende, salientando que, enquanto político, não gostaria de ver a sua vida privada exposta sem o seu consentimento. Em Portugal, a tradição de mostrar a vida privada de políticos ainda é recente, mas a situação de Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy não parece inédita ao sociólogo Alberto Gonçalves. O próprio primeiro-ministro apareceu a correr em Copacabana, refere. Neste sentido, sublinha que tudo o que a Imprensa tem provém da própria sociedade. Não passa nada que não lhe seja pedido, portanto, defende, a esse nível não há inocências. O sociólogo, contudo, refere que os políticos deveriam ter maior cuidado, porque se abrem a porta para estes pequenos casos, mesmo conseguindo controlar a situação, estão, eles próprios, a criar o precedente para outras situações. Pedro Santana Lopes é um claro exemplo. A rotineira presença do político nas páginas do social acarretou uma profunda desconfiança interna no seu partido. No entanto, foi essa exposição mediática que o ajudou a garantir as vitórias políticas que, mais tarde, lhe permitiram chegar à liderança do Partido Social Democrata. Ironicamente, deixou as funções de primeiro-ministro criticando a actuação da Imprensa relativamente à sua pessoa. JOSÉ SÓCRATES NA CAPA A presença do primeiro-ministro José Sócrates no Sheraton Pine Cliffs Resort, no Algarve, não passou despercebida aos fotógrafos, que tudo fizeram para captar imagens das suas férias. A TV 7 Dias conseguiu, inclusivamente, registar o momento em que passava bronzeador pelas costas do seu irmão. Nas nossas páginas, foi também possível ver o político a manter a forma, nas suas habituais sessões de jogging, poucos dias antes de rumar ao Brasil, onde, perante um batalhão de jornalistas, percorreu o Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. NOTORIEDADE NÃO TRAZ CREDIBILIDADE Agostinho Branquinho, deputado do PSD, considera ser um facto indesmentível que a exposição mediática aumenta a notoriedade do político, mas sublinha a necessidade de distinguir este conceito da credibilidade. A estratégia de exposição mediática pode, a curto prazo, beneficiar um candidato, que se torna mais conhecido, mas, a médio e longo prazo, isso não chega para o suportar. É preciso credibilidade e competência, afirma. O social-democrata defende que Sócrates se sabe resguardar desta situação. Ele permite que o fotografem em situações que não visam a vida íntima, porque pretende criar a imagem de um homem moderno, que se preocupa com a actividade desportiva, e fá-lo através do excelente marketing político do seu staff.</aux></texto> |
| Ana Lúcia Sousa / Correio da Manhã 16 de Agosto de 2006 |