Paris, 10 mar (Lusa) - Mais de oitenta candidatos de origem portuguesa integram as listas às eleições regioinais francesas de 14 e 21 de Março, afirmou à agência Lusa em Paris o presidente da Associação de Autarcas de Origem Portuguesa (Civica) em França, Paulo Marques.
“A participação lusa é cada vez mais forte e visível”, afirmou Paulo Marques, reconhecendo que “a participação cívica dos portugueses em França perdeu o comboio por várias vezes” nos últimos actos eleitorais.
Nas listas para as eleições regionais de 2010 contam-se 84 candidatos de origem portuguesa, “depois de retirados os candidatos que podiam ser de origem espanhola e com a verificação caso a caso” pela Civica, explicou Paulo Marques.
“Fiquei estupefato com tanta mobilização, que indica uma resposta à sensibilização feita pela Civica junto dos dirigentes políticos franceses”, declarou o luso-descendente, empresário na área da contabilidade e gestão, ex-candidato em eleições anteriores e membro do Conselho das Comunidades Portuguesas.
A Civica, salientou Paulo Marques, “fez um trabalho de promoção de novos talentos, foi a feiras de autarcas e teve audiências com os dirigentes de todos os partidos, exceto da Frente Nacional (FN)”.
A região de Île-de-France, que inclui Paris e a periferia da capital, é a que regista a maior parte desses candidatos, com 22 nomes de origem portuguesa.
Dos 84 candidatos, apenas três são da UMP (União para um Movimento Popular), o partido maioritário na actual legislatura. Pelo PS (Partido Socialista) francês concorrem nove nomes de origem portuguesa.
Segundo Paulo Marques, “uma dezena de candidatos luso-franceses pode alcançar a meta final de serem eleitos conselheiros regionais, com três candidatos cabeça de lista distrital e 17 em lugares elegíveis” em toda a França.
Um dos nomes com hipótese de eleição é o de Cristela de Oliveira, atual vice-presidente do município de Corbeil-Essonnes, da UMP.
Tudo vai depender do jogo de alianças que acontece na semana entre a primeira e segunda volta das eleições, “após as coligações que prejudicam os candidatos lusos”, salientou Paulo Marques.
Os números da participação política nos últimos anos indicam que “cada vez há mais candidatos de origem portuguesa” nas eleições legislativas e autárquicas, disse Paulo Marques. Em 2001 existiam 350 autarcas, em toda a França, e em 2008 cerca de 3500, referiu.
O marco para a participação dos luso-descendentes foi 2001, primeira vez que os portugueses em França tiveram direito a voto nas eleições europeias, mas nesse escrutínio “a sensibilização para candidaturas portuguesas chegou tarde”, afirmou.
Pelo contrário, “entre 2004 e 2010, houve passos muito largos na apresentação de candidaturas aos municípios, Conselhos Regionais e Conselhos Gerais”, acrescentou o responsável da Civica.
Atualmente, uma das campanhas promovidas pela Civica é apelar aos jovens luso-descendentes para “levarem os pais a inscrever-se para votar”, explicou Paulo Marques.
Desde 1999 que os jovens franceses maiores de 16 anos ficam automaticamente inscritos nos cadernos eleitorais. “Muitas vezes os seus pais, emigrantes portugueses em França, nunca se inscreveram como eleitores e não votam”, disse.
Para Paulo Marques, “é importante que os candidatos de origem portuguesa tenham visibilidade, mesmo que não seja em lugares não elegíveis”.
“Há dois nomes que normalmente são mais vistos numa lista de dezenas de candidatos: o primeiro e o último. Não é mau ser o ‘lanterna vermelha’, porque é esse que pode puxar o comboio”, concluiu Paulo Marques.
PRM.