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Lisboa, 06 fev (Lusa) - O presidente da Associação de Autarcas de Origem Portuguesa em França (CIVICA)considera que o debate sobre a identidade nacional faz "todo o sentido" e vai permitir aos lusodescendentes apresentar a sua realidade e especificidade enquanto nacionais daquele país.
Apesar de reconhecer que o debate sobre a identidade nacional em França, lançado em outubro do ano passado pelo partido de direita UMP liderado por Nicolas Sarkozy, "não é de todo consensual" na sociedade francesa e no seio da própria associação que lidera, Paulo Marques acredita que o "debate tem de ser realizado".
"A realização deste debate faz todo o sentido. Vai permitir que os franceses de segunda ou terceira geração contribuam com as suas diversas realidades e especificidades para a discussão" sobre o que significa ser francês, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação de Autarcas de Origem Portuguesa em França .
No entender de Paulo Marques, apesar de a iniciativa visar sobretudo discutir a integração e visão dos franceses de origem da África do norte, o debate vai "também permitir aos lusodescendentes apresentar a sua realidade e especificidade enquanto nacionais do país".
Apesar de a "especificidade dos filhos de portugueses ser já reconhecida em França" e os lusodescendentes estarem "plenamente inseridos na sociedade francesa", o responsável salientou a importância da contribuição de todos.
"Quisemos aparecer neste debate por seremos também uma minoria real e de intervenção em Franca, para podermos divulgar a nossa realidade e o nosso contributo para entidade francesa", disse.
Nesse sentido, Paulo Marques explicou que a Associação e os mais de 3.500 autarcas de origem portuguesa participaram em diversos debates públicos sobre o tema - organizados nos 96 distritos franceses - para "darem voz a realidade portuguesa em França" e mostrar às pessoas que "não há incompatibilidade entre ser francês e ao mesmo tempo português.
"Temos uma especificidade clara: somos franceses e vivemos de acordo com os direitos e deveres da República francesa numa sociedade que acolheu os nossos pais. Mas a nossa realidade e identidade francesa não pode abdicar do fato que também somos portugueses", salientou.
Mais de 60 por cento dos franceses inquiridos numa recente sondagem feita pela Obea-InfraForeces para vários meios de comunicação daquele país considera que o debate sobre a identidade nacional "não é construtivo" e 53 por cento pensa que tudo não passa de uma manobra eleitoral por parte do partido de direita UMP, no poder.
Em outubro, altura em que o Governo quis iniciar a discussão sobre "O que é ser francês?", 53 por cento dos franceses interrogados considerou que o debate era "importante".
SK.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***