"Só espero que as coisas avancem"
Ao meio-dia em ponto, antes de ir votar, Paulo Marques precisa de passar pelo mercado de Aulnay-sous-Bois, uma cidade dos subúrbios ao norte de Paris, onde vive e exerce o cargo de conselheiro municipal.
12.20. Paulo Marques chega à escola primária do sul de Aulnay-sous-Bois onde costuma votar. Apesar de ser reconhecido pela presidente da mesa, prefere esperar na fila, como toda a gente.
12.40. "Está feito!", diz ao sair da escola. O seu voto não é segredo para ninguém. Este lusodescendente, de 37 anos, coordenou a campanha presidencial de Sarkozy junto da comunidade portuguesa. Paulo espera este dia desde que, em Maio de 2006, se encontrou com o candidato. "Nesse dia, ele deu-me a entender que contava comigo", conta ao DN quem acaba de viver "uma campanha muito dura".
12.55. Paulo Marques almoça no restaurante português Le Camelo. Perguntam-lhe se está confiante. "Vamos ver logo à noite, mas acho que vai correr bem. Pelo menos fiz o meu trabalho e o meu dever", diz.
16.00. O presidente da Associação Cívica, que reúne autarcas de origem portuguesa eleitos em França, passa pela casa dos pais. Na televisão, as notícias dão conta de uma taxa de participação ainda mais elevada que na primeira volta. Paulo Marques começa a sentir uma "pequena impaciência". "Só quero que isto acabe depressa, e que acabe em bem", confessa.
16.30. Sempre que atende o telefone, Paulo Marques pergunta a quem está do outro lado da linha se já foi votar. Parece que nos departamentos ultramarinos Sarkozy atinge os 55%. "Deus queira que seja o mesmo aqui, mas ainda é cedo para dizer", diz, ainda apreensivo.
17.15. A delegação de empresários portugueses que Paulo deve conduzir ao local onde se reúnem e se concentram os apoiantes de Sarkozy parte, em direcção a Paris.
18.15. Passam longos minutos a tentar entrar na sala onde Nicolas Sarkozy vai fazer o seu primeiro discurso depois da divulgação dos resultados. Não há nada a fazer, a lotação está esgotada. Paulo decide esperar pela confirmação do resultado na rua, com as centenas de apoiantes que ali se juntaram.
18.30. Começam a chegar os primeiros resultados, através do telefone que não pára. A vitória de Nicolas Sarkozy parece ser já um dado adquirido.
19.15. No entanto, Paulo está cada vez mais nervoso. "Estou a pensar no trabalho todo que fiz nestes últimos meses", diz ao DN.
20.00. O rosto de Sarkozy aparece no ecrã gigante colocado diante da sede da UMP. O candidato da direita venceu a eleição presidencial com 53% dos votos. Paulo Marques respira fundo para conter a forte emoção que o atravessa. Ensimesmado, continua a bater palmas depois de a multidão ter soltado o seu grito de alegria.
"Aliviado", e satisfeito por ter contribuído para a vitória de Nicolas Sarkozy, Paulo Marques espera agora "que as coisas avancem mesmo". "Como muitos franceses, acreditei nele e estou à espera de uma França mais forte, que também beneficie aos portugueses", diz.
TOMÁS CABRAL, Paris