Aumento trouxe benefícios a Portugal. Só no ano passado, lusodescendentes eleitos trouxeram 50 mil turistas
De manhã eram 324, ao final do dia o número disparou para perto de 3500. Nas eleições autárquicas francesas de Abril do ano passado, o número de autarcas de origem portuguesa chegou a 3474 - ao todo são 44 presidentes de câmara, centenas de vereadores com pelouro e outras centenas de deputados municipais. Recém-eleitos, resolveram trazer turistas à terra natal. E conseguiram: no ano passado, 50 mil franceses aterraram no país através da iniciativa inédita. Em 2009 o número deve manter-se.
"O esquema é simples", explica Paulo Marques, presidente da Cívica, uma associação de autarcas de origem portuguesa. "Todas as câmaras organizam viagens anuais para os seus munícipes que financiam de 10 até 45%, conforme a situação económica do candidato." São os autarcas que decidem os destinos, por isso, logo após as eleições de 2008, foi-lhes pedido que incluíssem nos seus "programas de viagem para o estrangeiro" Portugal.
Alguns meses depois, a 22 de Novembro, a embaixada de Portugal organizou um encontro entre os autarcas. Nesse momento, já todos sabiam que a iniciativa tinha sido um sucesso. Quem olhasse para os números de turistas franceses que o país acolheu em 2008 distinguia um aumento de 12% em relação ao ano anterior. Em números absolutos são mais 70 mil franceses.
Com estes valores na mão, a associação lança a pergunta: quantos autarcas incluíram Portugal nos programas de viagens? A resposta foi surpreendente - apenas 25%. Este cenário abria um mundo de possibilidades, caso os outros 75% viessem a seguir o exemplo. Mas a tempestade da crise económica já fustigava a Europa e os autarcas decidem traçar objectivos modestos para 2009: manter os mesmos resultados.
Neste momento Paulo Marques já se congratula e, mesmo sem conhecer os valores definitivos, arrisca que 50 mil franceses terão aterrado novamente no país. "Os números provisórios falam numa descida de 3% a 5% no total de turistas vindos de França, mas as informações que tenho dizem que devemos conseguir manter o mesmo número."
Conseguido este resultado, o verbo já se conjuga no futuro. Os grandes objectivos foram deixados para 2010 e, acreditam os autores, esse será o ano de consagração da iniciativa. "Queremos que o número aumente para 100 mil", declara Paulo Marques. Para isso, explica, "apenas é preciso que 40% dos autarcas participem".
Feitas as contas, e com tantos milhões em jogo, a conclusão é lógica: Portugal não compete sozinho. Além de "poderosos lóbis das agências de viagens", Paulo Marques diz que há concorrência feroz de países como Itália, Alemanha e Bélgica mas, neste momento, os países mais temidos são os do Leste europeu.
Além destes, os países do Norte de África são os grandes rivais: "O rei de Marrocos aposta muito forte neste mercado, faz muita publicidade." É por isso que a Cívica se tem dedicado "a promover Portugal entre gestores autárquicos, docentes, estudantes e profissionais do sector".
Apesar deste esforço, Paulo Marques diz que Portugal tem uma enorme vantagem: "Somos os únicos a ter este grande recurso que são os nossos autarcas." Por outro lado aponta também "efeitos indirectos importantíssimos": o impacto que 50 mil bocas a gabar um país podem ter no turismo nacional.
in "Jornal i", Portugal, por alexandre soares, Publicado em 23 de Outubro de 2009